Extração de siso: quando é necessária e como é a recuperação
Quando o siso precisa sair e quando pode ficar, como é a cirurgia passo a passo, o cronograma real da recuperação e os sinais que pedem retorno imediato.

Autora
Dra. Maria Teresa de Moraes
Especialista em Ortodontia · CRO/SP 118.686
Publicado
01 de setembro de 2026
Nem todo siso precisa ser extraído. A indicação de cirurgia aparece quando o dente está impactado, provoca infecções de repetição, tem cárie ou lesão, causa dor persistente ou compromete o dente vizinho. Sisos totalmente irrompidos, na posição correta, com higiene possível e sem sintomas podem ser mantidos sob acompanhamento radiográfico.
Quem decide isso é a radiografia panorâmica somada ao exame clínico, independentemente da idade ou da impressão de que "todo mundo tira".
O que é o siso
O siso é o terceiro molar, o último dente da arcada, que costuma irromper entre os 17 e os 25 anos. São quatro no total, dois em cima e dois embaixo, e é normal nascer menos de quatro ou nenhum.
O problema é de espaço. A mandíbula humana moderna frequentemente não tem comprimento suficiente para acomodar esse último dente, e ele acaba ficando preso no osso ou na gengiva, parcialmente irrompido ou inclinado contra o dente vizinho.
Quando a extração é indicada
- Impactação: o dente não consegue irromper e fica retido no osso ou sob a gengiva
- Pericoronarite de repetição: a gengiva que cobre parcialmente o siso inflama, dói e incha, num ciclo que volta sempre
- Cárie no siso ou no dente vizinho: a região é de difícil higienização, e a cárie muitas vezes começa na face do segundo molar encostada no siso
- Reabsorção do dente vizinho: o siso inclinado pressiona a raiz do segundo molar
- Cistos ou lesões associadas ao folículo do dente retido
- Doença periodontal localizada na região posterior por impossibilidade de higiene
- Indicação ortodôntica ou protética específica, avaliada caso a caso
Quando o siso pode ficar
Quando ele está totalmente irrompido, em posição funcional, com antagonista para morder, sem cárie, com gengiva saudável e com acesso que permita escovar e passar fio direito. Nessa situação, a conduta é acompanhamento periódico com radiografia, sem cirurgia preventiva automática.
Sobre a crença mais comum: a ideia de que o siso empurra e entorta os dentes da frente é bem mais frágil do que parece. O apinhamento tardio dos incisivos inferiores acontece também em quem nunca teve siso, e é atribuído a fatores multifatoriais. Extrair siso apenas para prevenir apinhamento não se sustenta como indicação isolada, embora ele possa entrar num planejamento ortodôntico por outros motivos.
Como é a cirurgia, passo a passo
- Avaliação e imagem. Radiografia panorâmica para ver posição, raízes e relação com estruturas nobres. Em casos de proximidade com o nervo alveolar inferior ou com o seio maxilar, entra a tomografia.
- Planejamento e orientações. Medicação prévia quando indicada, orientação alimentar e definição de quantos dentes serão removidos por sessão.
- Anestesia local. O procedimento é feito com o paciente acordado e sem dor durante a cirurgia.
- Acesso e remoção. Dependendo da posição, a cirurgiã abre um retalho na gengiva, remove um pouco de osso e às vezes secciona o dente para retirá-lo em partes, o que é mais conservador do que forçar a saída inteira.
- Sutura e orientações pós-operatórias, com retorno para remoção dos pontos em cerca de 7 a 10 dias.
A duração varia de 15 a 60 minutos por dente, conforme a complexidade.
A recuperação, dia a dia
Primeiras 24 horas. Gelo intermitente na face, compressa por fora, repouso relativo, alimentação fria e líquida ou pastosa. Nada de bochechar com força, cuspir, usar canudo ou fumar, porque essas ações deslocam o coágulo que protege o alvéolo.
Do 2º ao 3º dia. É o pico do inchaço e da limitação de abertura de boca. A partir daqui, o gelo dá lugar ao calor local se houver orientação nesse sentido. Alimentação segue morna e macia.
Do 4º ao 7º dia. O inchaço reduz de forma perceptível, a dor diminui bastante e a alimentação vai voltando ao normal, evitando mastigar do lado operado e alimentos duros ou com sementes.
7 a 10 dias. Remoção dos pontos e retorno à rotina normal, incluindo exercício físico, com liberação da cirurgiã.
Cicatrização completa do osso: alguns meses, sem sintomas nesse período.
Segundo a Dra. Maria Teresa de Moraes, responsável técnica da PLENA (CRO/SP 118.686), a maior parte das complicações que aparecem depois de uma extração de siso vem do descumprimento das orientações das primeiras 48 horas, principalmente cigarro e canudo.
Sinais que pedem retorno imediato
- Dor que piora a partir do 3º dia em vez de melhorar, sinal clássico de alveolite
- Sangramento que não cessa com compressão de gaze
- Febre acima de 38 graus, mal-estar ou secreção com odor ruim
- Inchaço que aumenta depois do 4º dia
- Dormência persistente no lábio ou na língua após passar o efeito da anestesia
- Dificuldade progressiva para abrir a boca ou para engolir
Perguntas práticas de quem vai operar
Quantos dentes por vez? Depende do caso e da sua rotina. Fazer os dois de um lado permite mastigar do outro. Remover os quatro numa sessão só concentra o desconforto em um único período de recuperação, o que alguns pacientes preferem.
Preciso de sedação? A anestesia local resolve a maioria dos casos. Para pacientes com muita ansiedade ou casos complexos, existem protocolos com sedação, avaliados individualmente.
Qual é a melhor idade? Entre o fim da adolescência e o início dos 20 anos, as raízes ainda não estão completamente formadas e o osso é mais elástico, o que costuma tornar a cirurgia e a recuperação mais simples. Isso não impede a extração em idades mais avançadas, quando indicada.
Onde fazer em Osasco
A PLENA Odontologia fica na Av. Hilário Pereira de Souza, 406, Torre 1, no Jardim Brasil, região central de Osasco, com aparelho de raio-X no local e sala própria de esterilização. O atendimento é de segunda a sábado, das 9h às 18h, e recebe também pacientes de Carapicuíba, Barueri e Cotia.
A avaliação começa pelo exame clínico e pela imagem, define se a extração é mesmo necessária e apresenta o plano com etapas e orientações antes da decisão. Se a sua queixa hoje é dor, veja também nossa página de clínica geral e fale com a gente pelo WhatsApp para avaliarmos a prioridade do atendimento.
Dor no fundo da boca não melhora sozinha. Agende sua avaliação e descubra se, no seu caso, o siso precisa sair.
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Perguntas frequentes
Todo mundo precisa extrair o siso?
Não. Sisos totalmente irrompidos, em posição funcional, sem cárie, com gengiva saudável e com higiene possível podem ser mantidos sob acompanhamento radiográfico. A indicação de cirurgia surge diante de impactação, infecções de repetição, cárie, lesões ou risco ao dente vizinho.
Dá para tirar os quatro sisos de uma vez?
Dá, e alguns pacientes preferem concentrar tudo em um único período de recuperação. A alternativa comum é operar um lado por vez, o que permite mastigar do lado oposto. A escolha considera a complexidade dos dentes, o estado de saúde do paciente e a rotina dele.
Quanto tempo dura o inchaço depois da extração?
O pico costuma acontecer entre o segundo e o terceiro dia e reduz de forma perceptível a partir do quarto. Gelo nas primeiras 24 horas, repouso e a medicação prescrita controlam bem o quadro. Inchaço que aumenta depois do quarto dia pede retorno.
O siso entorta os dentes da frente?
Essa relação é bem mais frágil do que a crença popular sugere. O apinhamento dos dentes inferiores ocorre também em quem nunca teve siso e tem causas múltiplas. Extrair o siso apenas para prevenir apinhamento não se sustenta como indicação isolada, ainda que ele possa entrar num planejamento ortodôntico por outros motivos.
Posso trabalhar no dia seguinte à cirurgia?
Depende da complexidade da extração e do tipo de trabalho. O comum é reservar de 2 a 3 dias de repouso relativo, período de maior inchaço e limitação para abrir a boca. Atividade física intensa costuma ser liberada apenas após a remoção dos pontos, entre 7 e 10 dias.
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